
romance é fantasia, traz dor e paixão, vício e loucura; seduz com esses sentimentos profundos e intensos como quase nada nesse mundo e torna-se um refúgio da rasa realidade, tão superficial.
o ser romântico se frustra com a leviandade, ele deseja um oceano infinito para explorar por inteiro, apenas para angustiar-se diante do impossível e se afogar em mágoas pelo desejo não realizado.
tenta, mas não consegue mudar. quando percebe o ciclo vicioso e tenta salvar-se, na superfície o choque com a realidade instaura um vazio tão grande no peito que é difícil aguentar: ele mergulha novamente no oceano de fantasia, numa tentativa de se encontrar.
e lá se perde novamente. não é romântico ser incurável?
O que traz dor não é o romance, por si só, é o que nos submetemos a fazer para atrair e agradar o outro, e sim, além de platônico e, às vezes, falso, pode ferir nosso orgulho. O romance, assim como outras coisas, tem diversas perspectivas, depende de quem está nele. Cada caso é um caso. Pode ser lindo, feio, falso, sincero, recíproco, platônico, depende de quem guia.
Outra coisa que atrapalha é a infinita clemência por “quero mais, quero sempre mais”. Exigir demais é ter de menos. Já cantavam Los Hermanos “tanto te soltei e você me quis em todo lugar”, e é assim que tem que ser. Mesmo que o vício seja descontrolado, controle-se.
Falei pouco e fugi do assunto, mas gostei muito do que li. Parabéns.
Olá Emerson, obrigada pela comentário! Fico feliz que gostou do que leu. Concordo com o que você diz, acredito (aprendi) que o amor, o romance – ou o que for – quanto mais livre, mais puro, belo e saudável será, para todos os envolvidos.
Quanto a esse texto, escrevi pensando e me referindo ao viciado na “sensação” de romance: a pessoa que usa o amar, se iludir, sofrer, perder.. Para fugir da realidade. É a pessoa que se perde e se vicia na intesidade desses sentimentos. É a pessoa que leva a vida como um romance literário, ou um filme dramático.
Considero incurável pois sempre terá um drama (inventado ou aumentado) a ser tratado, cuidado e resolvido pelo “romântico”. É um comportamento até que auto-destrutivo. Ou talvez seja apenas viver